Imóveis: Por que o futuro do mercado imobiliário é feminino?
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Imóveis: Por que o futuro do mercado imobiliário é feminino?

mercado imobiliário é um dos segmentos que mais movimentam a economia brasileira. Só em 2022, foram comercializados 133.891 imóveis no país, segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Mas, além dos números expressivos, existe outro ponto que precisa ser posto em debate no setor: a participação feminina.

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Cada vez mais atuantes na área, as mulheres ainda enfrentam desafios para se firmar no segmento, dificuldade herdada de um passado com poucas oportunidades. No entanto, esse cenário vem mudando e já podemos ver o número de profissionais femininas aumentando pelas obras.

Por isso, entender o contexto em que as mulheres estão inseridas no mercado de imóveis é peça-chave para reduzir  desigualdades e promover a inclusão daquelas que irão colaborar para o progresso do setor.

Mercado de imóveis para as mulheres

O histórico do setor imobiliário é majoritariamente masculino. Até 1958, mulheres não tinham sequer autorização para atuar como corretoras de imóveis. Essa regra foi extinta, na época, pelo Tribunal de Justiça. Porém, a profissão continuou sendo ocupada por homens, de modo que, em 1990, a participação feminina representava apenas 8% das vagas.

Entretanto, com o tempo, o cenário sofreu transformações. Hoje, as mulheres representam mais de 40% dos credenciamentos no sistema do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci). O número é resultado de um salto de 144% na última década, o que demonstra o interesse feminino pelo mercado de imóveis.

Sendo assim, é fácil notar o querer feminino em atuar no segmento quando as portas são abertas a elas. E esse é justamente o principal desafio a ser vencido: a abertura de oportunidades. De acordo com dados do Ministério da Fazenda, quase todas as profissões ligadas à base do setor são ocupadas por homens, a exemplo de supervisores de construção e ajudantes de obras civis.

Dificuldades enfrentadas no setor de imóveis

Lidar com um setor construído, em sua maioria, por mãos masculinas não é uma tarefa fácil. Há 20 anos atuando na área, pude presenciar inúmeras dificuldades que as mulheres passam para conseguir o seu lugar ao sol. Entre elas, o preconceito de gênero.

No dia a dia da construção, ainda é perceptível enxergar crenças de que as mulheres não são tão capazes de trazer resultados ao setor quanto os homens. Esse viés, infelizmente, é colocado em prática de diversas maneiras, como a falta de oportunidades para mulheres em cargos de liderança, o não reconhecimento do trabalho e esforço, a desvalorização do potencial e, até mesmo, o assédio moral e sexual.

Ainda, as mulheres que atuam no segmento precisam, muitas vezes, trabalhar mais e alcançar métricas muito maiores do que seus colegas homens para poder ter o mesmo reconhecimento profissional.

Apesar disso, esse é um panorama que, aos poucos, vem se transformando. Mesmo perante às adversidades, as profissionais do setor mostram a cada dia mais suas capacidades e o seu destaque.

A chegada das práticas ESG também é um fator que está auxiliando a entrada nas empresas. De modo que, ao perceber os diferenciais e benefícios que a participação das mulheres promove nos mais diferentes setores, as organizações passam por um momento de reavaliação do seu quadro de funcionários.

Com isso, é o momento de as mulheres continuarem lutando por seu espaço no mercado imobiliário, mostrando sua competência e seu profissionalismo em todas as atividades.

Os diferenciais da mulher no setor

O destaque feminino nas companhias não é baseado em achismo, mas sim em resultados. Segundo o relatório Women in Business and Management: The Business Case for Change, divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), as empresas com líderes femininas têm resultados até 20% melhores em relação às demais. E esse destaque não é diferente no mercado imobiliário.

Isso porque as mulheres apresentam diferenciais que possibilitam o desenvolvimento sólido e de longo prazo dos negócios. Exemplo disso é a empatia com os clientes, de forma que o público feminino costuma ter maior habilidade para se colocar no lugar do outro e entender as suas reais necessidades, além da forma como gosta de ser tratado.

Aliado a essa característica, a habilidade em se comunicar favorece o trabalho feminino, muito bem usado para os momentos de negociação e para estabelecer relacionamentos de confiança.

Ao olhar para o time, o protagonismo feminino desponta na cooperação em equipe, levando em conta a aptidão em praticar a escuta ativa e em ser assertiva nas colocações.

A visão estratégica é outro ponto que diferencia as mulheres, o que as possibilita ter um olhar mais apurado, facilitando a construção de planos de longo prazo e tomadas de decisões certeiras. Ainda, as mulheres são multitarefas por natureza, o que pode ser uma vantagem no setor imobiliário, que exige habilidades múltiplas, como prospecção, marketing e networking.

Futuro do mercado de imóveis é feminino

O futuro do mercado imobiliário passa pelas mãos femininas. O segmento atrai cada vez mais mulheres, que estão se qualificando e se inserindo nos mais diversos cargos, seja como corretoras, gestoras, engenheiras ou em outras áreas relacionadas à indústria da construção civil.

Com a busca pela equidade de gênero evidente na sociedade, as empresas se movimentam para aumentar as oportunidades para as mulheres e oferecer carreiras que possibilitem o crescimento profissional, o que promete levar mais profissionais femininas aos cargos de liderança.

Contudo, as novas gerações buscam por imóveis que atendam às suas necessidades específicas e exigem um atendimento personalizado e adequado. E adivinha qual o gênero mais ativo nessa procura? O feminimo.

De acordo com pesquisa do DataZap+, 62% das buscas de empreendimentos para compra e locação são feitas por mulheres. Esse dado demonstra como a participação feminina é diferencial para o setor, visto que as clientes tendem a se conectar mais com profissionais do mesmo sexo, ideal que se baseia no atendimento e olhar mais sensível vindo das mulheres.

Outro propulsor dessa participação no setor é a tecnologia, que serve como braço direito para diminuir as barreiras no mercado imobiliário. Com as ferramentas digitais e a possibilidade de trabalho remoto, as mulheres podem atuar de casa ou de qualquer lugar. Essa possibilidade impacta positivamente a qualidade de vida e facilita a conciliação entre trabalho e maternidade para aquelas que são mães.

Ou seja, apontar a luneta para o amanhã da área imobiliária é ver cada vez mais mulheres presentes no setor. Esse é um movimento que não tem mais volta. Ainda bem!

Incentivo: o momento é agora

A participação das mulheres neste mercado só tende a crescer. Entretanto, para isso ser concretizado além do papel, não podemos esquecer da necessidade dos incentivos para que o público feminino se interesse pela área e se sinta motivado a fazer sua carreira no segmento.

E exemplo disso foi o “Soma”, evento promovido pelo Instituto Mulheres do Imobiliário, que nasceu da união de força, sororidade, empoderamento e protagonismo de grandes mulheres com o objetivo de debater o empreendedorismo feminino no mercado imobiliário. O encontro contou com diversas referências do setor e promoveu o levantamento de questões essenciais para o fomento da participação feminina.

Nele, tive a oportunidade de contribuir, ao lado das brilhantes Raquel Pagano, Ana Alvarenga e Anna Guimarães, no painel “30% Club: Mulheres em Conselhos”.

E os esforços não param por aí. Além desses eventos, é primordial que as empresas estipulem metas para aumentar o seu quadro de colaboradoras. Afinal, a participação das mulheres em conselhos de administração ainda é baixa. A média mundial é de 27,1% de presença feminina, enquanto no Brasil esse número cai para 14%, segundo estudo da Spencer Stuart.

Sendo assim, cito a medida da BRZ Empreendimentos e Construções como exemplo em que, em 2022, foi estipulado internamente o objetivo de ter 50% dos cargos ocupados por mulheres tanto nos postos de liderança quanto nos demais ofícios. Com metas a serem cumpridas, as organizações tomam iniciativas e trocam a zona do discurso pelo agir. E, no momento, é desse comportamento que precisamos!

*Eduarda Tolentino é sócia e presidente do conselho da BRZ Empreendimentos e integrante do Amazonita Clube

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